terça-feira, 7 de setembro de 2010

IBGE divulga indicadores de sustentabilidade

No início deste mês, o IBGE divulgou os IDS - Indicadores de Sustentabilidade -, referentes ao ano de 2010. O relatório aponta que, embora o Brasil tenha evouído nos principais aspectos socioambientais avaliados, ainda há um longo caminho a ser percorrido para que se alcance o desenvolvimento sustentável, sobretudo no que diz respeito à proteção da biodiversidade.

Ao todo, 55 aspectos – ligados direta ou indiretamente ao desenvolvimento sustentável do país – foram analisados pelo Instituto. Para facilitar a avaliação, eles foram divididos em quatro grandes grupos.

O primeiro, chamado de Dimensão Ambiental, analisou questões referentes à ar, terra, água, biodiversidade e saneamento e concluiu que, apesar de grandes avanços em algumas áreas e estabilidades em outras, ainda existem grandes desafios ambientais a serem superados no país, sobretudo quando o assunto é degradação dos ecossistemas e perda de biodiversidade. Isso porque, apesar de ter diminuído, o desmatamento já atinge 14,6% da Amazônia Legal e quase metade do Cerrado. Na Mata Atlântica, a situação também é crítica: restam menos de 10% do território.

Os indicadores de Dimensão Ambiental ainda terminaram com um alerta: apesar de continuar baixo, o índice de consumo de substâncias destruidoras da camada de ozônio – presentes, por exemplo, em ar-condicionados, solventes e extintores de incêndio – sofreu um pequeno aumento, com relação ao ano de 2007. O resultado influenciou em outro IDS, referente à qualidade do ar: nas grandes cidades, a poluição atmosférica se manteve estável, mas a concentração de ozônio cresceu, aumentando o risco de casos de câncer e cegueira entre a população.

O segundo grupo, nomeado de Dimensão Social, analisou as questões ligadas à satisfação das necessidades humanas, melhoria da qualidade de vida e justiça social, avaliando setores como saúde, educação, habitação e segurança. Entre as conclusões desse grupo, estão:
– maior redução nas desigualdades de gênero, do que nas de cor e raça;
– queda da mortalidade infantil e aumento da esperança de vida;
– condições de moradia inadequadas nos domicílios de 43% dos brasileiros; e
– 25,4 mortes por homicídio e 20,3 por acidente de transporte, a cada cem mil habitantes.

Questões ligadas ao desempenho macroeconômico do país e aos padrões de produção e consumo foram reunidas no grupo de Dimensão Econômica, que mostrou que:
– em 2009, o consumo de energia anual de cada brasileiro chegou a 48,3 gigajoules – o segundo maior índice da história do país – e a eficiência energética do uso não aumentou;
– quase metade da energia brasileira provém de fontes renováveis; e
– mais de 90% das latas de alumínio produzidas hoje no Brasil são recicladas.

Por fim, o grupo denominado Dimensão Institucional analisou questões que dizem respeito aos esforços feitos pela sociedade e, principalmente, pelo governo para ajudar no desenvolvimento sustentável do Brasil. A avaliação mostrou que, nesse aspecto, os avanços do país se concentraram no acesso à telefonia e internet: os domicílios que possuem acesso à rede quase triplicaram entre 2001 e 2008 e o acesso à telefonia móvel dobrou de volume em quatro anos. Além disso, os IDS apontaram que o investimento nacional em Pesquisa e Desenvolvimento aumentaram de R$ 12 bi, em 2000, para R$ 32,7 bi, em 2008, embora ainda não representem mais de 1% do PIB brasileiro.

Principal conclusão do IDS 2010: Em comparação ao ano de 2007, o Brasil manteve seu ritmo de crescimento econômico e evoluiu nos principais indicadores socioambientais analisados, mas as desigualdades socioeconômicas e os impactos ao meio ambiente ainda são grandes em todo o país, o que compromete o desenvolvimento sustentável do Brasil.

Acesse o relatório completo do IBGE aqui.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Energia que vem do lixo

Nos laboratórios do mundo inteiro, já foi provado que se pode produzir diversos combustíveis líquidos ou gasosos de lixo urbano, restos de madeiras, cascas e palhas de produtos agrícolas. Pouco se tem feito para estimular a transformação dessa possibilidade científica numa realidade sustentável.

O projeto da companhia canadense Enerkem é um modelo que nos mostra ser possível associar crescimento com práticas sustentáveis. A companhia divulgou nesta semana que começou a construção do que chamou de “a maior usina de transformação de lixo em biocombustível do planeta”. A instalação será capaz de processar 100 mil toneladas de resíduos por ano, criando combustível suficiente para abastecer 400 mil automóveis, o equivalente a 36 milhões de litros de etanol. Isso representa um corte na emissão de gases de efeito estufa semelhante a tirar 42 mil carros das ruas.

A usina irá trabalhar principalmente com o lixo da cidade de Edmonton, no Canadá, que já recicla 60% de seus resíduos, mas com a nova indústria atingirá os 90%.

Segundo a Enerkem, mesmo matérias que não vão para a reciclagem tradicional contém moléculas de carbono que podem ser quimicamente recicladas. Depois da extração, os resíduos de carbono são convertidos em combustíveis e outros produtos através de um processo que utiliza calor, pressão e catalisadores químicos. O que sobra pode ser ainda aproveitado como agregado na construção civil.

A empresa tem planos de construir uma outra unidade do mesmo porte nos Estados Unidos até 2013.

A imagem abaixo mostra a planta da usina em construção no Canadá:


O lixo é realmente uma fonte de energia! Fonte de energia para as engrenagens do modo de produção capitalista, assim como para as ações do ReciclaMente.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Espaço Rural pode ser sustentável?

Podemos afirmar que o ReciclaMente nasceu, no sentido prático do termo, em março de 2010. No dia em questão, com sol e chuviscos no final da tarde, o quarteto + 1 (em homenagem a prof. Angela) desfrutou das belezas naturais de Sidrolândia, cidade-vizinha dos campo-grandenses, em nosso estimado Mato Grosso do Sul.

Ainda é possível sentir o cheiro doce da brisa que viajava por entre as árvores da Serra de Maracaju e refrescava nossa face, convidando-nos a vislumbrar os encantos da Piana, admirável fazenda sustentável. Difícil se concentrar em nosso objetivo, que era pura e simplesmente realizar um estudo de caso sobre a diversificação produtiva da propriedade rural em questão, bem como da gestão dos resíduos sólidos gerados a partir de tais atividades.

O Sr. Luis Carlos Piana, proprietário da localidade, nos cedeu uma entrevista exclusiva. Contou-nos a história recente do lugar e como este passou de uma área essencialmente especializada em bovinocultura e avicultura para um ambiente turístico, transformando todo o produto potencial da fazenda em produção econômica real. Fórmula de sucesso estimada com muito esforço pela família Piana. Se vivo, Keynes teria um bom exemplo de como operar com pleno emprego dos fatores de produção.

Graziano da Silva (2002) escreve sobre as mudanças pelas quais vem passando o espaço rural: “essa nova organização do espaço pode ser chamada de o “novo rural”, o qual compreende uma agropecuária moderna, baseada em commodities e ligada às agroindústrias e um conjunto de atividades não-agrícolas, relacionadas à moradia, ao lazer e a várias atividades industriais e de prestação de serviços”.
Vivenciamos com vigor esse conceito de “novo rural” ao observar as ocupações produtivas da fazenda: 1) atividades tradicionais: pecuária, englobando a criação de bovinos, galináceos, suínos e ovinos; e 2) o turismo no meio rural com suas diversas modalidades: turismo de eventos, turismo de aventura e esportivo, turismo de água e sol, turismo artístico.

È mesmo fascinante como os proprietários da fazenda conseguem administrar todos os recursos disponíveis, transformando-os em fonte de renda e emprego, sem destruir a cultura local. Quem sabe até produzem de forma sustentável... Não podemos afirmar com exatidão, mas com relação ao gerenciamento dos resíduos sólidos, observamos aspectos positivos.
Mesmo inserida no cenário dos mais de 80% de espaços agrícolas que não possuem sistema público de coleta de lixo, identificou-se na propriedade um modelo de tratamento dos resíduos adequado à realidade dessa carência. Os administradores promovem o retorno de boa parte da matéria-prima ao ciclo de produção do qual foi descartado, seja por meio da reciclagem ou do reaproveitamento. Se aliada à conscientização dos visitantes, esse modelo adotado resultaria numa ação conjunta capaz de promover o desenvolvimento de maneira sustentável.

O caso da Piana constitui uma das poucas exceções. Infelizmente, frente à ineficiência do sistema atual de coleta de resíduos rurais no Brasil, muitos produtores buscam outras formas de eliminação, na maioria das vezes inadequadas. Como exemplo, temos que do total do lixo produzido em 2000 na zona rural, 52,5% foram enterrados ou queimados (IBGE, 2000). Sinal de que a demanda por políticas eficazes em relação aos resíduos sólidos é enorme. Sinal de que há muito trabalho a ser realizado no presente e futuro próximo pelo ReciclaMente e por todos os brasileiros.

Difícil encontrar uma palavra que resuma a primeira experiência do projeto em pesquisas a campo. Envolvente, interessante, instigante... Creio que estimulante seja suficiente para expressar a vontade do grupo de crescer intelectualmente, profissionalmente e, claro, ambientalmente.


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O lixo e a Agenda 21.

"Promover a gestão de resíduos sólidos urbanos a partir do planejamento integrado de intervenções;
da adoção de instrumentos econômicos para incentivo às boas práticas de gestão, com ênfase na conscientização do consumidor;
da reutilização, reciclagem e redução dos resíduos sólidos;
da punição às práticas inadequadas de gestão dos resíduos sólidos;
do desenvolvimento de critérios para seleção de áreas de disposição de resíduos;
e dos procedimentos específicos para resíduos especiais e perigosos;
da responsabilidade pós-consumo para o produtor ou importador e do estímulo à formação de parcerias entre municípios vizinhos que vise, desde a coleta seletiva até a construção de aterro sanitário."

#Agenda 21: documento aprovado durante a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento - Eco-92 por membros da comunidade internacional com compromissos para a mudança do padrão de desenvolvimento no século XXI.

#resíduos sólidos urbanos: resíduos que normalmente se originam no interior das residências, algumas vezes chamados de resíduos sólidos domésticos.

#aterro sanitário: método de engenharia para disposição de resíduos sólidos no solo, de modo a proteger o meio ambiente.